O assunto está em todos os noticiários, mesas de debate e nas páginas dos jornais. O Novo Código Florestal, proposto pelo deputado federal Aldo Rebelo e aprovado recentemente pela Câmara, acabou gerando uma polêmica. Afinal, a quem essa legislação realmente beneficia?
A questão foi debatida por professores e convidados da área ambiental, em 17 de Junho, no Curso G9. Participaram do encontro alunos do Ensino Médio, do Pré–vestibular e até mesmo um grupo do 6º ano do Ensino Fundamental II, que foi buscar mais informações para o tema que irão trabalhar na Feira do Conhecimento.
Para abrir o seminário a professora da Unifei (Universidade Federal de Itajubá), Daniela Rocha Teixeira, especializada em direito ambiental, mostrou aos alunos como funciona o código atualmente e o que muda se a legislação entrar mesmo em vigor. Para ser implantado, o Novo Código também precisa ser aprovado pelo Senado Federal. Ela enfatizou a situação dos índios e das Áreas de Preservação Permanente (APP). As APP, por exemplo, terão seu valor de recomposição, caso ocorra desmatamento, reduzida de 30 metros para 15 metros.
Logo depois, foi a vez do ambientalista José Genésio Fernandes colocar seu ponto de vista como especialista no assunto e pequeno proprietário de terra. De maneira simples e com pitadas de humor, Genésio acabou ilustrando bem o que o professor de Geopolítica, Julio César Hespanhol, também defendeu: o novo código é mais político do que ambiental.
“Infelizmente, a realidade é que os interesses políticos dos homens do agronegócio acabam sendo privilegiados em detrimento dos pequenos agricultores e do meio ambiente de modo geral”, disse Hespanhol. Ele ainda destacou a falta de fiscalização no Brasil que acarreta vários problemas para o código florestal. “Somos um país que aproveita a lei para burlar a própria lei e isso acontece também por falha da fiscalização”, explicou.
O professor de Sociologia do Curso G9, Petrus Ferreira Risetto, focou no papel que a mídia desenvolve em relação ao assunto. “Dependendo da maneira como a mídia trata essa questão, acaba gerando um mal entendido. O discurso ambiental vira uma estratégia para mudanças não necessariamente ambientais - aí entra inclusive a política”, disse.
As perguntas feitas pelos alunos levantaram mais questões polêmicas como o caso das ONGs (Organizações Não Governamentais). Petrus e Hespanhol alertaram os alunos em relação às organizações que tem como objetivo ajudar e acabam usando o meio ambiente como esquema para outros fins. “É preciso ter cuidado. É um absurdo, mas acontece de ONGs utilizarem o nome para lavagem de dinheiro”, disse Petrus.
A aluna Julia Ferreira de Oliveira, do Pré-vestibular, disse que entender sobre as ONGs e tudo o que envolve o Novo Código foi muito interessante. “Fiquei impressionada em saber sobre os desmatamentos e como os donos de terra agem. Vim para me informar mesmo, eu queria aprofundar mais nesse assunto”, disse.
Para a aluna Tatiane Almeida Freire, também do PV, a preocupação com o vestibular foi o que a motivou a participar do seminário. “Com certeza esse assunto será trabalhado de alguma maneira nas provas dos vestibulares. Além disso, achei interessante me informar e ter uma opinião a respeito do que estão comentando”, explicou.
O seminário terminou com as palavras da coordenadora do Ensino Médio, professora Márcia Gil de Souza, e da diretora pedagógica, professora Maria Aparecida Fernandes, que agradeceram os convidados e o interesse de todos “em participar de um encontro tão construtivo e importante para a formação humana”.